domingo, 7 de outubro de 2012

NÃO QUERO NADA




Eu já te disse que
não quero nada!
Eu não quero nada!
Nada eu quero além do
meu Nada.
Pessoa hoje me basta!
Deixa-me, mulher,
aqui, caído, com minha pioria,
só e triste como estou.
Deixa-me ir ao fundo do
poço e prostrar-me diante
dos  fantasmas desconhecidos,
encher-me de dúvidas,
mas  longe das tuas
sublimes virtudes.
Deixa-me, mulher, aqui
cá onde estou,
sem alma, pois,
independentemente de  tua
vontade,
insiste e penetra
a lâmina afiada no
meu peito que arde.
Estou só e triste e
me deixa triste e só
como estou.
Esse desespero não ´
é  feitiço,
é perda ou falta de
teu zelo do meu lado,
do meu lado de cá,
do meu lado de lá e
fica com todos os
remorsos do
universo.
Estou triste e ignóbil e
cheio de tuas e
dúvidas minhas e
só minhas.
O que vejo na
minha frente é sangue,
senão aniquilamento,
humor nauseante.
Deixa-me como estou,
mulher, há exício à espreita,
há  um fantasma com
pus na boca,
a boca  do fantasma está inflamada de
horror,
o fantasma está com dor,
a mais inexplicável e 
assustadora  irracionalidade de
todos os tempos.


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